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Manual Prático do Avaliador no Futebol

Considerando que domingo tem Gre-Nal, sempre um jogo polêmico antes, durante e, principalmente, depois;

Considerando que as avaliações dos jogadores nos jogos causam sempre muita controvérsia e, muitas vezes, revolta, em especial da torcida gremista;

Considerando a frequente falta de critério na distribuição das notas, razão maior da irritação de torcedores;

Considerando a discrepância entre a nota e o comentário emitido em alguns casos;

Considerando que a tarefa de aplicar notas e conceitos é mesmo muito difícil, porque há um forte componente de subjetividade;

Considerando que é dever de todos contribuir para a paz e a harmonia no futebol;

Considerando que uma avaliação mais criteriosa e fiel à realidade dos fatos vai ser útil para melhorar a relação mídia/torcida, o Boteco do Ilgo sente-se na obrigação de publicar os principais trechos do Manual Prático do Avaliador no Futebol – árduo trabalho em andamento e que já ultrapassou mil páginas -, para auxiliar os avaliadores ‘mãos pesadas’, feliz expressão extraída do conceituado e sempre atento blog www.cornetadorw.blogspot.com.br;

Considerando tudo isso e mais o que foi esquecido agora, aqui estão os princípios básicos de uma avaliação justa e adequada:

1 – o avaliador deve, obrigatoriamente, despir-se de qualquer coloração clubística para não deixar que a paixão interfira no trabalho;

2 – o avaliador não pode permitir que eventual antipatia com esse ou aquele atleta interfira em sua nota;

3 – o avaliador, quando tiver dúvida sobre uma nota, deve ter humildade de consultar os colegas mais experientes, mas sempre com um pé atrás, porque a opinião pode vir contaminada de gremismo ou coloradismo;

4 – o avaliador, ao final da cotação, precisa somar as notas para conferir se o total está de acordo com o desempenho do time como um todo. Por exemplo, em Fluminense 0 x 3 Grêmio, a nota geral do Grêmio, que fez uma partida considerada por todos fantástica, foi de APENAS 6,9. O MÍNIMO aceitável, nesse caso, seria nota OITO.

5 – o avaliador precisa adotar um critério diferenciado para os goleiros. No jogo referido, o goleiro Dida levou nota SEIS, que é a nota mínima para passar no exame da OAB. Quando o goleiro sai de campo sem sofrer gol – sua missão no jogo -, mesmo que não seja muito exigido e desde que não tenha cometido falhas, o MÍNIMO que ele deve receber é uma nota SETE. Se ele fez uma ou duas grandes defesas, essa nota deve obrigatoriamente ser ainda maior.

6 – Quando se afirma que determinado jogador de defesa foi um ‘gigante’, sua nota deve ser superior a SETE, nota atribuída a Pará contra o Fluminense;

7 – Quando uma dupla de área se mostra eficiente na marcação de um goleador perigoso como Fred, tanto que ele praticamente não concluiu a gol, o MÍNIMO que esses jogadores, no caso Werley e Cris, merecem é OITO. Afinal, cumpriram a missão com total sucesso.  No caso de Cris, citar que ele cometeu pênalti – na verdade, lance discutível – tendo poucas palavras para escrever, indica uma certa tendenciosidade;

8 –  Quando um atacante como Barcos é agarrado escandalosamente na área nas cobranças de escanteio, é obrigatório, em nome da isenção, citar que ele sofreu pênaltis não assinalados pela arbitragem – apesar dos auxiliares que ficam no fundo do campo. Essa obrigação é ainda maior quando na mesma cotação é frisado que o zagueiro do mesmo time, Cris, cometeu pênalti, repito, duvidoso.

9 –  As equipes de esporte devem estabelecer um critério – algo sempre exigido dos árbitros, por exemplo – para ser seguido por todos os avaliadores, porque há aqueles que costumam estar de mal com o mundo e costumam dar notas muito baixas, desconsiderando o empenho dos atletas e seus acertos no jogo, e superdimensionando eventuais erros. Por outro lado, há os que são generosos demais nas notas;

10 – As avaliações devem sempre ficar a cargo dos jornalistas mais experientes, equilibrados e conhecedores, o que pelo visto não acontece, considerando-se as reclamações constantes dos leitores.

O Boteco do Ilgo espera ter contribuído para que as avaliações individuais nos jogos sejam mais coerentes com a atuação dos jogadores, deixando de gerar tanta polêmica e contrariedade de torcedores.