Categorias
Blog do Ilgo

O desafio de Renato e o chopinho em Ipanema

Consenso em futebol é algo quase impossível.  Mas acontece.

Hoje, ninguém tem dúvidas de que o trabalho de Renato para ajeitar o time é espinhoso. Está aí um consenso.

Agora, se Renato conseguiu arrumar o time em 2010, por que não pode repetir a dose, ou o chopp, imaginando o mar convidativo e as areias cálidas de Ipanema?

Não é fácil, é mesmo um desafio, mas acredito na capacidade de Renato, ao contrário de muitos analistas que repetem exaustivamente que o ídolo gremista não tem cultura tática, uma bobagem sem fim.

Luxemburgo, segundo esses especialistas em dizer obviedades e utilizar expressões como ‘duas linhas de quatro’, ‘triângulo invertido’, esses modismos que dentro de mais alguma tempo cairão no esquecimento, assim como aconteceu com o ‘ponto futuro’ – que eu até hoje procuro -, o ‘overlapping’, expressão rebuscada que o falecido Cláudio Coutinho introduziu no futebol na década de 70, tem a tal de cultura tática.

Técnico de futebol, pra mim, se não atrapalhar já está de bom tamanho. O grande treinador é aquele que consegue trazer os jogadores para o seu lado, mas que, depois disso, os posiciona com sabedoria, extraindo de cada um o máximo, dentro de uma formatação.

Renato fez isso com muito sucesso em 2010, quando Gabriel, Fábio Rochembach, Douglas, Jonas e Lúcio – só para citar os casos de mais destaque – jogaram muito futebol, e dentro de uma esquematização que um técnico ‘sem cultura tática’ não tem como conseguir.

O maior desafio de Renato será arrumar o sistema ofensivo – e aí estão incluídos:

laterais que apoiem com assiduidade semelhante a de Renato nos joguinhos de futevôlei,

volantes que façam a cobertura nesses casos,

zagueiros que possam aparecer de surpresa na frente,

volantes que também tenham qualidade para se projetarem,

meias que não se limitem a toques curtos, mas que arrisquem os lançamentos longos;

meias que se aproximem mais da área aproveitando espaços abertos com o deslocamento dos atacantes;

e atacantes solidários e ao mesmo tempo efetivos nas conclusões, além de terem capacidade técnica para lances isolados, como fez Barcos contra o Atlético PR.

A lista é grande, mas Renato está habilitado a fazer isso, conforme provou no Grêmio e no Fluminense.

Se vierem reforços, as chances de sucesso aumentam.

Mas penso que com o grupo atual é possível fazer um time para brigar pelo título, porque não há no momento nenhuma equipe que possa ser apontada como favorita.

A equipe que se ajustar mais rapidamente, melhores chances terá.

Contra o Atlético, Renato visivelmente armou o time para não perder.

Contra o Botafogo – no primeiro jogo do Grêmio na Arena numa tarde de domingo -, será diferente: ele terá de jogar para vencer.

E aí será preciso mais rapidez nas saídas para o ataque, com passes mais verticalizados e lançamentos.

Vejo Vargas implorando por bolas longas, uma bola que chegue com ele já em velocidade, o que raramente acontece e que, certamente, contribui para o seu rendimento insatisfatório.

Se Kleber gosta de bola no pé, Vargas gosta de bola mais à frente.

Barcos deve ficar posicionado mais na frente, junto a área, mas recuando as vezes para o ingresso de Vargas. Falta ajeitar essa sincronia de movimentos, tendo ainda meias que joguem a bola mais espichada.

Enfim, Renato sabe de tudo isso, e mais um tanto.

Sabe também que há muito trabalho para arrumar a casa que Luxemburgo deixou em polvorosa.

O negócio é trabalhar, trabalhar e conversar muito com os jogadores.

O chopinho em Ipanema pode esperar. Pelo menso até o próximo verão.

ARQUIBANCADA MÓVEL

Não tenho nenhuma dúvida de que as arquibancadas móveis do estádio do Novo Hamburgo serão liberadas para o Inter jogar no Brasileirão. O regulamento não permite, mas sempre aparecem artifícios para atender interesses dos grandes. Vale para o futebol, vale para tudo.

Pelo que li a liberação vai ocorrer em várias instâncias.

É mais ou menos como no caso Kiss, onde morreram 242 jovens.

Uma vistoria feita por inúmeras entidades, acaba não caindo no colo de nenhuma delas na eventualidade de uma tragédia.

Assim, quanto mais entidades derem o aval, melhor para todas elas.