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Blog do Ilgo

Maitê, a nova Geni e o título alemão

Quando uma atriz linda como a Maitê Proença, do alto do seu salto, se acha no direito de passar uma carraspana no Neymar porque ele deu abraço em Felipão durante entrevista coletiva, e ainda exigir que o treinador peça desculpas à nação pelo fracasso, é sinal de que a Copa das Copas mexeu demais com a cabeça das pessoas.

Felipão errou ao acreditar que sua equipe mesmo sem entrosamento e com jogadores insuficientes como Fred, Jô, Daniel Alves, Marcelo e outros, poderia ser campeã. O título na Copa das Confederações poderia ter enganado os neófitos, as Maitês que falam de futebol de quatro em quatro anos, mas nunca os ‘especialistas’ de todas as instâncias, em especial os cronistas esportivos em geral,  mas jamais um profissional experiente como Felipão.

Todos aqueles que jogam pedra na nova Geni do futebol brasileiro também acreditaram na seleção com esse time e com essa formatação tática faceira, fruto da soberba que impregna grande parte dos brasileiros, torcedores, profissionais do esporte, jornalistas, dirigentes e os palpiteiros de plantão e de ocasião. Poucos, como eu, refletiram sobre o esquema armado por Felipão e o questionaram. Faltou um pouco de humildade a Felipão. Aquela humildade que ele teve quando conquistou seus títulos. A presença de Parreira ao lado deve ter contribuído para essa mudança de Felipão.

O resultado foi levar dez gols e fazer apenas um nos dois jogos derradeiros. Perder para Alemanha e Holanda em casa é ruim, ainda mais para quem sonhava com o hexa. Levar tantos gols assim é intolerável, indesculpável. O melhor que Felipão tem a fazer é entregar seu relatório e pedir demissão em caráter irrevogável. Não sei se ele terá humildade para fazer isso a julgar por suas declarações públicas e seus comentários mais reservados.

Sobre o jogo de despedida, penso que o Brasil melhorou muito em relação ao que desabou contra a Alemanha. Felipão povoou mais o meio, algo que sempre defendi e isso desde que ele assumiu, e manteve um duelo mais equilibrado com os holandeses. E isso que levou um gol a 3 minutos, num pênalti que não existiu. Para um equipe abalada e com auto-estima baixa, foi um golpe duro.

Depois, o segundo gol com a jogada iniciando em impedimento ignorado pelo bandeira, o mesmo que levou o juiz ao erro no lance do pênalti, que aconteceu, aliás, sem que o Brasil sequer tivesse tocado na bola até aquele instante.

A seleção teve ao menos uma atuação digna.

Fico imaginando como não seria a seleção se desde o começo Felipão não tivesse armado um meio de campo mais forte, mais consistente, mais compacto. Não tenho dúvida de que o resultado seria muito melhor, apesar, repito, da falta de entrosamento e de qualidade da equipe nas laterais e no ataque.

Algo que não pode ser esquecido nessa hora de encontrar culpados é que a safra dos últimos anos não é a boa, tanto que o Brasil foi para a Copa com dois centroavantes que sequer poderiam chegar perto do vestiário onde estivessem Romário  ou Ronaldo se fardando.

TIBETE

Minha sugestão a Felipão é que ele se afaste do futebol por um tempo. Aconselho que vá meditar com os monges do Tibete ou se recolha a um mosteiro franciscano, onde deve aproveitar para calçar a sandália da humildade.

Mas se ele preferir continuar trabalhando, que venha para o Grêmio e assuma o lugar do Enderson Moreira antes que seja tarde.

Agora, que venha o Felipão dos anos 90, não o atual.

ALEMANHA

A seleção alemã é a merecidíssima campeã mundial. É a vitória do planejamento, da organização, da execução competente e talentosa.

È disso que o futebol brasileiro precisa.

A Argentina foi valente, resistiu até a prorrogação. Mas a Alemanha foi superior e seria injusto ficar sem o título.

Schweinsteiger foi o grande craque da Copa.

Neuer provou que um time campeão começa com um grande goleiro. No caso, um goleiro que joga praticamente em duas posições: goleiro e líbero. Fantástico.

E que gol o do Gotze. Lance de craque, provando que a Alemanha além de esbanjar tudo aquilo que não conseguimos ver na seleção brasileira nesta Copa, nem na anterior, ainda tem técnica e habilidade.

Que o futebol brasileiro pegue a Alemanha como exemplo e tire proveito dessa amarga lição.