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Blog do Ilgo

Com o voto no bolso

O Grêmio foi goleado no jogo do tapetão: 5 a 0.

Como tem acontecido em alguns jogos de campo, o time de advogados do Grêmio – reforçado providencialmente por um flamenguista – jogou bem, mas perdeu.

Quem acompanhou o jogo, que durou quase quatro horas, percebeu que para os auditores o jogo já estava jogado, principalmente porque na véspera um procurador do tribunal já havia sinalizado para a exclusão da Copa do Brasil.

A imagem da jovem soletrando a palavra ofensiva é muito impactante. Além do mais, os meios de comunicação pegaram pesado demais, inclusive os daqui.

O fato é que nada mudaria o resultado do jogo.

O que me fez lembrar um outro, em 1991, no tribunal da FGF. Estava em julgamento um caso de doping no Gauchão envolvendo um atleta do Inter.

Foram horas e horas de jogo. Para muitos, principalmente as testemunhas arroladas, um jogo sério. Para outros, um teatro.

Não faltou sequer um médico para garantir que os exames de dopagem não tinham credibilidade. Faltou alguém comunicar isso ao COI.

Depois de muita conversa jogada fora, veio a hora dos votos, com cada auditor discursando o máximo de tempo possível para curtir bem aquele momento de celebridade já que havia transmissão ao vivo de rádio e TV.

Lembro que lá pelas tantas um dos auditores, colorado, num gesto teatral, sacou do bolso o voto que havia escrito em casa. E ele fez questão de enfatizar que estava com o voto pronto. Portanto, nada do que fosse dito ali alteraria sua posição. Um profundo desprezo ao julgamento e uma ofensa a todos que estavam ali tratando tudo com seriedade.

O voto, claro, era favorável ao Inter e a seu atleta.

No julgamento de hoje no Rio, só faltou alguém tirar seu voto do bolso.

O bom disso tudo é que, conforme ironizou o presidente Fábio Koff, com essa punição ao Grêmio acabou o racismo no Brasil.

PREVENÇÃO

Cabe agora ao Grêmio tratar de tomar mais medidas preventivas. É impossível evitar que algum torcedor cometa outro desatino e prejudique de novo o clube, mas é imperativo que sejam tomadas medidas que reduzam ao máximo a chance de novos delitos acontecerem.

Nem que o preço a ser pago seja a colocação de cadeiras no espaço da geral da Arena.

Pode não resolver, mas reduz drasticamente o risco.