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O espigão vermelho e a tática do bode na sala

O vereador Felipe Camozzato (por casualidade, colorado) publicou artigo na Zero Hora, edição de 23 de julho, manifestando seu apoio à verticalização de Porto Alegre, partindo da pretensão do Internacional em erguer um monstrengo que pode atingir até 130 metros de altura às margens do Guaíba, junto ao Beira-Rio, desvirtuando o que foi acertado na doação da área pela prefeitura municipal há 63 anos.

Em contrapartida ao espigão e a mais um prédio menor ao lado, o clube de se compromete a fazer benfeitorias, que, por melhor que sejam, nunca irão compensar a enorme perda para a cidade e sua população.

No mesmo dia – provavelmente após ler o artigo do vereador Camozzato -, David Coimbra escreveu um texto em seu blog atacando fortemente a proposta absurda.

Aqui vai um trecho:

“Esta área, onde agora querem erguer um complexo imobiliário, foi doada para o Inter para empreendimentos esportivos, não para desfigurar Porto Alegre. Seria até uma traição ao município”. 

Nesta quarta-feira, dia 31, Paulo Germano, publicou em ZH o artigo intitulado ‘Espigões do privilégio’, também detonando a iniciativa da direção colorada, que, apesar de esdrúxula e afrontar o bom senso e até a legislação, segue tramitando nos órgãos municipais.

Confira este oportuno trecho da coluna do Paulo Germano:

“O tamanho das torres, o desrespeito ao Plano Diretor, o bloqueio do ar que vem do Guaíba, tudo isso poderia ser discutido. Eu aqui, honestamente, não tenho nada contra essas construções imensas em grandes centros urbanos. Desde que o investidor, claro, compre a área onde vai investir. Se ele ganha essa área – e ganha do poder público, que estabelece as condições para usá-la –, não pode, agora, sair faturando como bem entender”.

Bem, quem me conhece sabe que há anos denuncio essas doações gigantes e contrapartidas minúsculas, isso quando elas acontecem. Até ganhei um Prêmio ARI com uma série de reportagens sobre esse assunto publicadas no Correio do Povo nos anos 90.

Ainda sobre essa questão escrevi aqui neste espaço, em 17/11/2017, o artigo “O Inter e a generosidade do poder público”. Nele, foco principalmente outra doação, de 88 hectares, em Guaíba, para o Inter construir seu CT.

Confira: https://www.blogdoilgo.com.br/2017/11/17/o-inter-e-a-generosidade-do-poder-publico/

Por fim, a respeito desse espigão, penso que a direção colorada colocou um bode na sala. Propõe um edifício de até 130 metros de altura para conseguir, mais adiante, quando a polêmica chegar à Câmara de Vereadores, um prédio que respeite o limite de 52 metros (ou seja, 17 andares), conforme estabelece o Plano Diretor. Mais baixo, mas ainda assim um monstrengo em todos os sentidos.

A grande vantagem do clube em meio à essa polêmica, que recém está começando e logo será grenalizada, apesar de envolver o meio ambiente que interessa a todos nós, gremistas e colorados, é que a destinação original da área fique em segundo plano e os prédios comerciais sejam erguidos , abrindo caminho para outros que, certamente, virão mais adiante.

Perderemos todos nós.