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Valdir Espinosa, ídolo do Grêmio, morre aos 72 anos

Ex-jogador e treinador gremista teve complicações em decorrência de uma cirurgia

Na manhã desta quinta-feira (27), morreu aos 72 anos Valdir Espinosa. Após um procedimento cirúrgico, o ex-treinador gremista, que trabalhava como executivo no Botafogo, teve complicações e foi levado para a UTI. No entanto, Espinosa não conseguiu resistir e seu falecimento foi confirmado na manhã de hoje, pela diretoria do clube carioca.

Logo após ser informada da notícia da morte de Valdir Espinosa, a assessoria de imprensa do Grêmio emitiu uma nota de pesar. O treinador passou pela última vez pelo Grêmio em 2016, onde venceu o título da Copa do Brasil, atuando como coordenador técnico.

“O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense informa, com imenso pesar, o falecimento de Valdir Espinosa, um dos maiores técnicos de sua história. Sob o comando de Espinosa o Grêmio abriu as portas do continente e do mundo ao Rio Grande do Sul, conquistando a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes em 1983.

Valdir Espinosa retornou ao Grêmio em 2016, como Coordenador Técnico e participou da conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil. Atualmente exercia o cargo de Gerente Técnico do Botafogo.
 
O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense se solidariza com toda a família Espinosa, amigos e torcida nesse momento de dor.”

Valdir Espinosa trouxe o Grêmio para um sonho, e tirou o Botafogo de um pesadelo

Valdir Atahualpa Ramirez Espinosa nasceu em 17 de outubro de 1947, na cidade de Porto Alegre. Na juventude, atuou nas categorias de base do Grêmio, onde começou a sua carreira como profissional. No tricolor, o jogador Valdir Espinosa foi campeão estadual em 1968. Sua carreira como lateral-direito não deslanchou, e após passagens por Vitória, CRB e Esportivo-RS, sua carreira foi encerrada, e ele se tornou treinador.

Como técnico e gerente de futebol, foram mais de 40 anos de carreira. Obviamente, sua vida teria novamente o Grêmio pelo caminho. Em 1982, foi contratado para ser o treinador do clube, e sua primeira passagem o colocaria na prateleira dos imortais do tricolor. Com ótima campanha no Campeonato Brasileiro de 1982, chegando ao vice-campeonato, perdendo para o Flamengo na decisão, o treinador chegou à Copa Libertadores.

Na competição continental, a equipe chegou a decisão após partidas históricas, e se sagrou campeão no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, para mais de 70 mil pessoas. No fim daquele mesmo ano, a equipe foi até o Japão para conquistar o maior título da história do clube: o Campeonato Mundial de 1983. Com brilhante atuação de Renato Portaluppi, a equipe bateu o Hamburgo, da Alemanha, por 2 a 1, e chegou à glória eterna.

Nos anos 80, no entanto, não foi apenas no Grêmio que Espinosa fez história. Em 1989, após a sua segunda passagem pelo tricolor e uma aventura no Cerro Porteño, do Paraguai, o treinador foi contratado pelo Botafogo, e botou um ponto final em um pesadelo na vida do clube carioca. No Campeonato Carioca daquele ano, o alvinegro acabou com uma sequência de 21 anos sem títulos. A torcida do clube trata o título como o “início de uma nova era” em General Severiano.

Renato e outros ídolos gremistas lamentam a perda de Valdir Espinosa

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Valdir Espinosa e Renato foram parceiros no Grêmio em 2016 – Foto: Rodrigo Rodrigues/Grêmio FBPA

A notícia da morte de Valdir Espinosa abalou jogadores que estiveram próximos ao treinador durante a sua carreira. Alguns, como Renato Portaluppi, trabalharam com ele também como técnico. Em 2016, os dois fizeram a dobradinha campeã da Copa do Brasil. Pela a sua assessoria de imprensa, o eterno camisa 7 emitiu um comunicado de pesar pelo falecimento daquele que ele considerava seu “segundo pai”, confira.

“Hoje o dia amanheceu mais triste. Perdi meu segundo pai, meu irmão mais velho, meu exemplo, meu grande e fraterno amigo. Foi pelas suas mãos que cheguei ao Grêmio e consegui dar para a minha família tudo que sempre quis. Vai ser difícil superar mais essa perda, mas temos de seguir em frente. E tenho certeza que ele sempre estará nos olhando, cuidando e guiando. Vai com Deus meu grande amigo”

O site globoesporte.com procurou outros jogadores do elenco das conquistas da Libertadores e do Mundial de 1983. Todos responderam com muito carinho ao técnico, e tristeza pelo seu falecimento. Eles relembraram como conheceram o treinador, além de considerá-lo um grande mestre e amigo, como o ex-goleiro Mazaropi.

“Neste momento de dor fica difícil você encontrar adjetivos que possam expressar nossos sentimentos. Espinosa foi e sempre será o nosso grande mestre, amigo, irmão e principalmente o paizão da família Campeões do Mundo. Pedimos a Deus que nos dê forças para superar esse momento de dor e pedir a ele que conforte todos os seus familiares e em especial a esposa Maria da Graça e seus filhos Riva e Allan neste momento de dor”.

No Botafogo, Espinosa estava trabalhando como gerente técnico. Ele foi um dos responsáveis pela chegada de Paulo Autuori, atual treinador do clube. O alvinegro carioca declarou luto oficial de três dias, hasteando a sua bandeira a meio mastro. O velório acontece nesse exato momento, no salão nobre do clube, em General Severiano. A cerimônia vai até às 22h desta quinta feira.

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