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Promessa na base, ex-zagueiro do Grêmio conta sobre saída conturbada e vida na Tanzânia

Com 27 anos, jogador defende o Simba FC, mas tem desejo de retornar a Porto Alegre

O zagueiro Gerson, de 27 anos, era tratado como joia na base do Grêmio. Revelado pelo clube em 2013, surgiu como uma opção para a posição do tricolor, mas logo teve o seu sonho interrompido. Ao globoesporte.com, o jogador contou sobre a sua saída conturbada do clube, além do seu sonho de vestir a camisa gremista novamente.

Atualmente, Gerson defende o Simba FC, clube da Tanzânia. Por conta da pandemia do novo coronavírus que também atinge o país africano, sua esposa, que está aguardando a chegada da segunda filha do casal, retornou ao Brasil. Desde então, o jogador vive sozinho e em isolamento social na cidade de Dar es Salaam.

– O governo, desde o dia 17 de março, já tinha anunciado que era para suspender todas atividades esportivas do país, para quem pudesse já trabalhasse em home office. Inclusive me surpreendeu um amigo meu que foi no shopping e estava tudo aberto. Tem coisas que respeitam, outras não muito – falou sobre a situação do país em relação à pandemia.

Capitão na base do Grêmio, Gerson não conseguiu ter o mesmo sucesso nos profissionais

No Grêmio, Gerson foi capitão nas categorias de base do clube, e chegou aos profissionais com status de promessa. No entanto, segundo o próprio jogador, faltou amadurecimento no momento de ascensão ao elenco principal. O zagueiro lamentou que, em determinadas situações, não tomou o posicionamento necessário.

– Gostaria de ficar mais tempo no Brasil. Lamento ter ido por outro caminho. Em alguns lugares me faltou um amadurecimento. Na base, sempre tive um posicionamento mais forte em algumas situações. Quando cheguei no profissional, teve um momento que eu tinha que ter tido uma postura. Mas pelo respeito e gratidão que tinha pelo clube, algumas coisas eu engoli. Nunca toco no assunto por gratidão. Tudo o que tenho hoje, sou grato ao Grêmio. Não fui só formado como jogador, mas um cidadão. Ficava mais quieto em algumas situações e isso me prejudicou um pouco – recordou.

Quando surgiu nos profissionais, o site globoesporte.com colocou o zagueiro como uma das joias do clube para a temporada. Sua carreira no Grêmio, porém, não engatou e ainda em 2013 foi dispensado pelo clube. Depois, atuou no Brasil pelo Bragantino, mas fez o restante da sua trajetória em clubes do exterior. Mesmo assim, não guarda mágoas pela equipe que o formou para o futebol.

– Recém tinha sido promovido ao profissional, participei da pré-temporada, era um momento único. Como eu vinha da base, com um certo prestígio, eu brigava por um espaço para ser inscrito na Libertadores. Semanas depois, fui afastado. Quem me conhece sabe que eu não tenho problema disciplinar. Então, qual a razão de eu ter sido afastado? Até hoje nunca questionei isso. É um arrependimento meu – enfatizou.

Mesmo com a dispensa traumática, Gerson ainda vê um futuro com a camisa tricolor. Perguntado se acredita num retorno à capital gaúcha, o zagueiro afirma que tem isso como seu objetivo de carreira. Segundo ele, o sonho de ver seus pais assistindo a um jogo seu na Arena se mantém vivo.

– Tenho isso como objetivo de carreira. Depois que eu saí, acho que isso guiou um pouco das minhas decisões. Vim de uma infância pouco afortunada. Vim para o exterior justamente porque a questão financeira era melhor do que no Brasil. Mas um dos meus objetivos, agora que estou mais tranquilo, é retornar no Brasil e quero jogar no Grêmio. Está no meu caderno de objetivos. Quando treinei na Arena, bem no início, lembro até o gramado, estava sentando ainda, não estava essa maravilha de hoje. Me vejo ali. Vejo minha mãe, padrasto, pai, me assistindo na tribuna. É um baita momento um jogo na Arena. Meu objetivo não é muita coisa, é ver eles ali. Sonho com esse momento – declarou.

O jogador ainda falou sobre um possível retorno por outros clubes brasileiros. De acordo com o próprio Gerson, existem propostas de outros clubes para que retorne ao País. As conversas, no entanto, ainda não foram concretizadas. Segundo ele, o projeto é mais importante do que jogar por jogar.

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