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Ferreira fala pela primeira vez sobre afastamento do Grêmio: “Me deixaram contra a parede”

Jogador está afastado do elenco desde fevereiro

O atacante Ferreira, de 21 anos, está afastado do Grêmio desde fevereiro. Desde então, o jogador tenta buscar a liberação do clube na justiça, sem sucesso. O impasse entre o clube e o jogador envolve a sua renovação contratual. O vínculo do atleta vai até a metade de 2021 e o tricolor buscava maneiras de renová-lo.

O estafe do atacante e a diretoria gremista, porém, não chegaram a um acordo, e toda essa situação levou às polêmicas dos últimos meses. Nesta semana, Ferreira foi convidado pelo jornalista Jorge Nicola, da ESPN, para explicar sua situação em seu canal no YouTube, o Canal do Nicola.

De acordo com o atacante, as conversas começaram ainda em janeiro, sem envolver um possível aumento salarial. Mais do que apenas o aumento dos seus vencimentos, Ferreira desejava uma porcentagem em uma negociação futura, já que 80% dos seus direitos econômicos pertencem ao Grêmio, enquanto os outros 20% à uma  escola conveniada que revelou o atleta em Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Ferreira afirma que diretoria ameaçou deixá-lo de fora da lista da Libertadores

Segundo o jogador, esse foi o maior incômodo durante a sua negociação. E, de acordo com palavras do próprio atacante, a diretoria do clube ameaçou retirá-lo da lista de inscritos da Copa Libertadores, o que acabou acontecendo. Desde então, Ferreira vem treinando em separado dos demais jogadores do elenco.

— A gente brigou para ter uma porcentagem e o Grêmio não queria ceder. Se eu fosse vendido, a escolinha ganhava 20%, o Grêmio 80% e eu chupava dedo. Quando a gente fazia contraproposta, eles só falavam que não e ficava tudo parado. Quando vê, o Grêmio chegou em mim e falou: “ou renova ou está fora da Libertadores”. De um dia para o outro. Não tem como decidir sua vida em 24 horas. Me deixaram contra a parede — disparou.

O contrato vigente do atacante com o clube foi assinado em 2019. Na época, o jogador ainda não havia se destacado na base, mas após boas atuações na equipe de aspirantes, o tricolor decidiu estender o contrato. Os valores, no entanto, não agradaram o jogador, tampouco seu estafe. De acordo com Ferreira, não houve proposta de aumento do salário que era baixo para o futebol que ele poderia apresentar.

— Na primeira vez, ofereceram R$ 30 mil. Passaram umas quatro reuniões e o valor não subia. Eles acham que nós, jogadores, não conversamos. Eu ali, na minha situação acontecendo, outro jogador vem e fala: “li que você não vai ganhar luva. Eu renovei e ganhei tanto de luva. E ganho isso, na base, mais que você”. O que eu e meu agente entendemos? Que as pessoas ali não confiavam no meu futebol, mesmo eu provando — argumentou.

Após todo o imbróglio, Ferreira decidiu entrar com uma ação na Justiça do Trabalho, pedindo uma liminar que garantisse sua liberação do Grêmio. A ação, no entanto, foi negada. O atacante afirmou que não era a sua vontade ter que tomar essa atitude, mas o comportamento de determinados diretores o deixaram sem escolha.

— Não vi outra saída. Depois que fui na Justiça, o clube decidiu me colocar para jogar (na transição), mas aí houve essa parada. Não era meu desejo, nunca foi minha vontade. Botei na Justiça porque não tem como colocar os diretores, uns que conversavam uma coisa comigo e no contrato colocavam outra. O clube não tem culpa. Não culpo o clube nem o professor Renato, que sempre foi a favor da minha renovação — finalizou.

Por enquanto, o jogador aguarda a tramitação normal da ação na justiça. Caso consiga interromper o vínculo com o clube, poderá assinar um novo contrato com outra equipe. De acordo com o globoesporte.com, o pai do atleta recebeu uma ligação do treinador Renato Portaluppi, que desejava entender o lado do atacante. O técnico é favorável a sua renovação com o Grêmio.

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