JogosNotícias

Copa do Brasil: relembre a trajetória da conquista do título de 2016

Após 15 anos de jejum, tricolor voltou ao caminho das vitórias e mostrou porque é apelidado de copeiro

A Copa do Brasil de 2016 tem um lugar especial no coração do torcedor gremista. A conquista não foi incomum, afinal, o clube se tornou pentacampeão do torneio, o único a chegar a essa marca. No entanto, a representatividade dessa vitória, que abriu caminho para o final de década glorioso do tricolor, merece ser lembrado.

Antes da conquista do torneio, o Grêmio estava há quinze anos sem vencer um título nacional. A última vez havia sido justamente a Copa do Brasil, em 2001, quando o tricolor bateu o Corinthians na decisão. Desde então, o clube sofreu com um período sem grandes vitórias e a traumática queda para a segunda divisão em 2004, enquanto via o seu maior rival conquistar títulos de expressão durante o período.

Após a grande campanha no Campeonato Brasileiro de 2015, quando o clube terminou a competição na terceira colocação, o Grêmio conquistou o direito de começar a Copa do Brasil apenas nas oitavas-de-final. O time já chegou no torneio eliminado da Copa Libertadores, após perder as duas partidas da fase mata-mata para o Rosario Central, da Argentina. O sorteio colocou o Athletico Paranaense como o primeiro adversário do clube na competição.

Copa do Brasil – Oitavas-de-final – Grêmio 1 (4) x (3) 1 Athletico Paranaense

oitavas-de-final-copa-do-brasil-grêmio-cap
Na estreia de Renato, Marcelo Grohe foi decisivo e pegou 3 pênaltis que asseguraram a vaga do tricolor na Copa do Brasil – Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Além do sorteio para decidir o adversário na fase de oitavas de final, o Grêmio também conseguiu o direito de decidir o confronto em casa. Dessa forma, o primeiro jogo foi na Arena da Baixada. O tricolor, porém, não se intimidou e conseguiu sair em vantagem. Com seis minutos, Jaílson encontrou Douglas, que de letra deixou Miller Bolaños de cara para o gol. O equatoriano só precisou colocar a bola para as redes e garantir a vitória, 1 a 0.

O tricolor chegou ao segundo confronto com a vantagem de poder empatar em até 1 a 1 para se classificar, mas assim como em Curitiba, o time visitante quem levou a melhor no tempo normal. O Grêmio ainda tentou com Henrique Almeida que, livre e de cara com o goleiro, chutou para fora. E o Athletico acabou contanto com a sorte para abrir o placar. Luan arriscou da entrada da área, Marcelo Grohe falhou e a bola sobrou para André Lima, que só teve o trabalho de balançar as redes, 1 a 0.

Com o empate no agregado, o jogo teve que ser decidido nos pênaltis. Por incrível que pareça, essa foi uma decisão em que mais chutes foram desperdiçados do que certos. Ao todo, o Athletico perdeu cinco cobranças. Marcelo Grohe foi o responsável por segurar os chutes de Otávio, João Pedro e do goleiro Weverton. Paulo André ainda chutou no travessão e Guilherme marcou o gol decisivo do tricolor, 4 a 3 e vaga assegurada para as quartas-de-final.

Copa do Brasil – Quartas-de-final – Grêmio 3 x 2 Palmeiras (placar agregado)

quartas-de-final-copa-do-brasil-grêmio-x-palmeiras
Ainda desconhecido, Everton foi decisivo e marcou o gol que colocou o tricolor nas semifinais da Copa do Brasil – Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Nas quartas, o Grêmio teria pela frente o Palmeiras, time que estava brigando pelo título do Campeonato Brasileiro e era o atual campeão da Copa do Brasil. Nos anos 90, os dois clube protagonizaram grandes embates, que marcaram a história das duas agremiações. Diferentemente da partida contra o Athletico, a primeira partida foi na Arena, enquanto a decisão do confronto ficou marcado para o Allianz Parque.

A primeira partida mostrou o equilíbrio entre as duas equipes, mas um golaço tirou o zero do placar. Aos 33 minutos, Ramiro recebeu lançamento do lado direito da entrada da área e arriscou após um quique da bola, encobrindo Jaílson e abrindo o placar, 1 a 0. Aos 44, Luan cobrou falta na cabeça de Geromel, que acabou acertando o travessão. No rebote, Pedro Rocha completou sozinho e ampliou o placar, 2 a 0. Aos 3 da segunda etapa, Marcelo Grohe derrubou Gabriel Jesus na área e o árbitro marcou a penalidade. Zé Roberto cobrou e diminuiu a vantagem para 2 a 1. 

Na volta, um empate por qualquer placar classificaria o Grêmio, mas a derrota por um gol de diferença poderia acabar com o sonho do tricolor. O jogo começou truncado e os times foram para o intervalo com o zero no marcador. Com 5 minutos da segunda etapa, Cleiton Xavier cobrou escanteio, Thiago Santos cabeceou para Thiago Martins que também de cabeça completou, a 1 0 para o Palmeiras. A vaga ficou ameaçada durante todo o segundo tempo, mas aí apareceu o ainda desconhecido Everton. O atacante recebeu de Douglas, cortou para o meio e chutou na entrada da área para empatar a partida, 1 a 1 e vaga assegurada para as semifinais.

Copa do Brasil – Semifinais – Grêmio 2 x 0 Cruzeiro (placar agregado)

copa-do-brasil-2016-semifinal
Luan foi decisivo no primeiro jogo das semifinais da Copa do Brasil – Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pela primeira vez na história, as quarto equipes que poderiam decidir a Copa do Brasil não eram nem do Rio de Janeiro, nem de São Paulo. Grêmio, Inter, Atlético Mineiro e Cruzeiro buscavam o título e ainda com a possibilidade de enfrentar o maior rival na decisão. O tricolor ficou frente à frente com o Cruzeiro, e a expectativa de um Gre-Nal decidindo a competição começou a acender o Rio Grande do Sul.

Dessa vez, o primeiro jogo da fase foi fora de casa. No Mineirão, o imortal novamente se impôs contra os donos da casa e mostrou porque é um time copeiro. Aos 19 minutos, Luan recebeu de Marcelo Oliveira no lado esquerdo da entrada da área e arriscou. A bola encobriu o goleiro Fábio e o Grêmio abriu o placar com um golaço, 1 a 0. Aos 16, Léo lança mal a bola para a frente, Marcelo Oliveira aciona Ramiro, que deixa Douglas na cara do gol. O camisa 10 gremista tira do goleiro e chuta rasteiro no cantinho, 2 a 0.

Na Arena, o Grêmio tinha a maior vantagem em casa desde o início da sua participação na Copa do Brasil. Para ser eliminado, precisava perder por no mínimo três gols de diferença. O jogo teve chances de ambos os lados, mas o placar não saiu do zero e o tricolor voltava a final da competição depois de 15 anos. Por outro lado, o Internacional não fez o seu dever de casa e o Gre-Nal decisivo era mais uma vez adiado. O imortal decidiria o torneio daquele ano contra o Atlético Mineiro, campeão em 2014.

Copa do Brasil – Finais – Grêmio 4 x 2 Atlético Mineiro (placar agregado)

copa-do-brasil-decisão-chape-homenagem
Homenagem aos 72 mortos pelo desastre aéreo com a Chapecoense marcou o segundo jogo da decisão da Copa do Brasil – Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

A trajetória do Grêmio na temporada não havia sido fácil. Eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores, trocou de treinador em setembro, quando Roger Machado deu lugar a Renato Portaluppi, que chegava para a sua terceira passagem pelo clube e após ficar três anos sem comandar um time de futebol. O eterno ídolo gremista fez uma campanha excelente na Copa do Brasil, chegando à final com apenas uma derrota. No Brasileirão, a equipe não conseguiria a vaga direta para a Libertadores, por isso vencer o torneio era necessário.

Mais uma vez, o tricolor teria o direito de decidir uma fase – a mais importante – da competição em casa. O primeiro jogo então foi no Mineirão lotado. O imortal mais uma vez se impôs e abriu o placar fora de casa. Maicon encontrou Pedro Rocha entre os zagueiros e o atacante cortou Gabriel para mandar para o fundo das redes e abrir o placar, 1 a 0. Aos 9 da segunda etapa, Pedro Rocha se livrou novamente dos zagueiros e tocou no canto de Victor para ampliar, 2 a 0. O Atlético conseguiu diminuir aos 36 minutos, quando Gabriel recebeu cobrança de escanteio e chutou de primeira, sem chances para Grohe, 2 a 1. Nos acréscimos, Geromel avançou pelo lado direito e encontrou Everton sozinho para ampliar, 3 a 1.

O segundo jogo foi repleto de homenagem às vítimas do acidente aéreo que vitimou 72 tripulantes do voo que transportava o elenco da Chapecoense para a decisão da Copa Sul-americana. Dentro de campo, o Grêmio precisaria perder por no mínimo dois gols de diferença para perder o título da Copa do Brasil. O Atlético até tentou, mas a conquista estava fadada a ser tricolor. Aos 43 minutos do segundo tempo, já com as mãos na taça, após um bate-rebate na área, Bolaños abriu o placar e fez o gol do pentacampeonato do imortal, 1 a 0! Nos acréscimos, Cazares ainda conseguiu acertar um grande chute do meio-campo e empatar a partida, mas isso já não importava mais.

miller-bolaños-gol-do-título-copa-do-brasil-2016
Miller Bolaños foi o autor do gol do título do Grêmio – Foto: Guilherme Testa/Correio do Povo

Após 15 anos, o Grêmio reencontrava o caminho das conquistas com a Copa do Brasil. E daí não parou mais.

Fechar