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Blog do Ilgo

Há quem defenda a volta da grossura no futebol

Se há um lugar em que o futebol mais tosco e viril ainda é festejado e venerado é o Rio Grande do Sul. Sempre que ouço e leio alguém suspirando ao pedir a presença de um legítimo camisa 5, mais conhecido como volantão; um camisa 9 alto e espadaúdo para trombar com os zagueiros e de vez em quanto fazer um gol, de preferência de cabeça; ou uma defesa com três zagueiros, fico preocupado.

Escrevo a respeito porque há um boato circulando na Capital de todos os gaúchos no sentido de que o técnico Renato estaria projetando armar seu time com três zagueiros assim que puder contar com Geromel e Kannemann. Sei que tem gente aprovando a ideia, outros a criticando, crucificando o treinador gremista por algo que sequer foi cogitado e muito menos testado. Até provável escalação li em algum lugar.

Vou esclarecer: alguém defensor de esquemas e formações mais conservadoras, com marcação forte, e nesse ponto Dinho é lembrado como exemplo a ser seguido, quer ver o Grêmio jogando assim. Mais ou menos como o Grêmio de Felipão na vitoriosa década de 90. Então, o sujeito, que adora um 3-5-2, por exemplo, lança ao vento, ou nas redes sociais, que vai mais rápido, a ‘informação’ de que Renato vai mexer no esquema. Verdade ou mentira, isso se espalha, e gera discussão. Com o time num mau momento, a ideia ganha defensores em grande número, chega aos ouvidos de Renato, que, claro, ri e a descarta.

Estamos diante do famoso se colar, colou. Fosse outro o treinador, um Celso Roth, por exemplo, talvez o time já nesta noite, 19h15, na Arena tivesse três zagueiros para enfrentar o Coritiba.

Então, muito cuidado com aqueles que defendem a volta de grossura no Grêmio e agregados.

GALVÃO

Sobre o esquema com 3 zagueiros, lembro do então técnico Cláudio Duarte testando Mauro Galvão (isso foi em 1979, se não me engano), então com apenas 17 anos, para atuar de líbero, com dois zagueiros à frente.

Eu era setorista do Inter, recém iniciando na profissão hoje tão enxovalhada. E Cláudio, conversando com Otacílio Gonçalves, dizia que é preciso treinar muito para o esquema dar certo. Hoje, os técnicos fazem a migração de esquema de um jogo para outro.