Passa ano, entra ano, e a corneta segue igual

Um gremista amigo encaminha artigo publicado há seis anos neste espaço. Depois, gritou ao telefone: “Pode publicar de novo porque segue atual, só mudam os protagonistas”. Ele mandou-me o link, que eu repasso aos amigos do blog. Realmente, o texto é atual e pertinente. Foi publicado em Zero Hora, no início de novembro de 2014. O post faz referência ao longo período de fila do clube, uma fila que acabou com a chegada do técnico Renato Portaluppi, algo que os gremistas mais críticos ignoram ou não valorizam na hora de atacar a direção, a comissão técnica e jogadores.

O Grêmio virou a ‘Geni’ de grande parte dos gremistas. Pelo menos daqueles que descarregam sua ira, frustrações, ódios e rancores nas redes sociais diretamente ou enviando mensagens para as emissoras de rádio, onde analistas futebolísticos ajudam a jogar pedras no time de Felipão, alguns simplesmente porque é o time do Felipão. Ah, e tem gente assim também entre os torcedores, gente que não vacila um segundo para desmerecer os grandes vencedores.

Antes que direcionem pedras à minha pessoa, quero esclarecer que eu também não estou satisfeito com o futebol do time. E isso já faz muito tempo. A diferença é que, reconhecendo a limitação técnica de alguns jogadores, escolhas equivocadas de treinadores e deficiências na montagem do grupo – não tem um articulador de qualidade para escalar desde a saída de Douglas -, avalio que ainda é possível figurar entre os três ou quatro melhores do campeonato. É difícil, mas está longe de ser impossível, em função inclusive da irregularidade das outras equipes.

A começar pelo grande rival, o Inter, hoje terceiro colorado. A campanha colorada é cheia de sobressaltos – inclusive com duas eliminações vexatórias diante de Ceará e Bahia, que o Inter transformou em potências emergentes do futebol mundial. Mas o que aparece é um Inter com equipe muito superior a do Grêmio, o que é desmentido pelos números, e os números como se sabe, são capazes de demolir as mais sólidas teses.

A diferença entre a Dupla é de apenas dois pontos. Esses dois pontos de vantagem colorada foram obtidos na vitória sobre o Santos na Vila Belmiro, território assustador para gremistas e colorados. Vitória histórica, sem dúvida, mas obtida a partir de uma falha absurda do experiente goleiro Aranha, no momento em que o Santos mais pressionava. O jogo se encaminhava para o empate, com o Inter resistindo bravamente, amontoando volantes. Então, veio o segundo gol e com ele os tais dois pontos.

Tudo isso para deixar claro que o Grêmio não é essa desgraceira que muitos gremistas fazem parecer. E não vai nenhuma crítica, porque são 13 anos na fila por um grande título, e isso torna qualquer torcedor mais sensível, intolerante e irritável. O que não pode é numa semana Gre-Nal colocar mais lenha na fogueira, desqualificando o trabalho de Felipão e dos jogadores, como se fossem eles os culpados de tanto tempo de seca.

A hora é de recolher as pedras, ficar ao lado do time de maneira incondicional, lotar a Arena e torcer pela vitória que irá inverter as posições dos dois no Brasileirão.