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Blog do Ilgo

Felipão e uma retranca histórica para neutralizar o 'casal 20' dos anos 80

O jogo deste sábado contra o Fluminense me fez lembrar um outro, na década de 80 (se não me engano em 1987), quando o Grêmio enfrentou o clube carioca também pelo Brasileiro.

O Fluminense estava no auge, com uma dupla infernal para fazer gol: Assis e Washington, conhecida também como Casal 20, título de uma série de TV de muito sucesso na área.

Pois o GRêmio foi ao Maracanã enfrentar essa dupla matadora, uma espécie de Pelé-Coutinho ou Joãozinho/Alcindo. Os cariocas eram amplos favoritos.

O que fez o técnico gremista, que recém começava no tricolor? Armou uma retranca de dar inveja a outros adeptos dessa solução.

Na época, no retorno da delegação, conversei com o Paulo Bonamigo sobre o jogo. O Grêmio foi dominado do primeiro ao último minuto. Bonamigo me confidenciou que ele, como um dos volantes, estava proibido de deixar o campo defensivo. Tinha ordem de não cruzar a linha de meio de campo – disse Bonamigo, sorrindo.

Bem ou mal, deu certo. O Grêmio garantiu o empate e saiu do Maracanã como se tivesse vencido. O ‘casal 20’ parou na retranca de Felipão, que meses depois deixou o clube, retornando em 1993 para ser campeão Brasileiro e da Libertadores, entre outras conquistas.

Mais de três décadas depois, temos outro jogo em que o Grêmio não pode perder contra o Flu. Nada como uma retranca amiga, bem ao estilo do gringo.

Garantir o empate, especular a vitória

Depois da vitória – para mim surpreendente pelo que o time vinha jogando – sobre a LDU, o Grêmio encaminhou sua classificação à próxima fase da Sul-Americana.

É um alento, um sopro de esperança, para focar no Campeonato Brasileiro e buscar a recuperação. A vitória foi tão importante que serviu para amenizar a angústia do torcedor diante da campanha que não condiz com a estatura do tricolor.

Já vi de novo brilho nos olhos de gremistas amigos. Alguns já projetam alcançar a ponta de cima. É o efeito Felipão. Não compartilho tanto otimismo, que parece mais fruto do medo de cair, da ansiedade de deixar o fosso do rebaixamento para trás.

Vou passar a ter alguma esperança de chegar ao G-4 a partir do jogo deste sábado, no Rio, 21h, contra o Fluminense. É jogo para vencer – mas os jogos que nos antecederam apontavam o mesmo, e o que se viu foi o oposto: resultados ruins e atuações piores ainda.

Se com um time misto o Grêmio voltou com três pontos do Equador, com o time titular é possível conquistar a primeira vitória no Brasileiro, dando moral e confiança aos jogadores, em especial aos mais jovens.

Agora, não podemos ignorar que o goleiro Chapecó foi o melhor jogador do Grêmio em campo, garantindo a vitória com grandes defesas. Então, o time segue devendo.

O técnico Felipão ainda não definiu o time, mas tudo indica que Alisson será mantido, apesar dos clamores da torcida para que não jogue.

Em princípio, o time terá :

Gabriel Chapecó; Rafinha, Geromel, Kannemann e Cortez; Fernando Henrique, Victor Bobsin, Alisson, Jean Pyerre e Léo Pereira; Diego Souza.

Essa é uma formação lógica. Melhor que isso só se tivesse um lateral-esquerdo com mais qualidade. Os dois que se revezam decididamente não são confiáveis.

Quando um joga a gente sente saudade do outro, e vice-versa.

Outra posição que preocupa é a de articulador. Jean Pyerre até melhorou contra a LDU, mas está longe de mostrar futebol para ser titular. A torcida por ele é grande.

O meia pela lado direito é outro problema para esse jogo. Alisson com seu futebol de toque pro lado e para trás, e muita disposição para nada acrescentar, continua. Felizmente, há Douglas Costa. Mas ele está fora porque tirou uns dias para casar no Caribe. Vai voltar ainda mais fora do peso.

Na frente, Diego Costa é contestado. A torcida do Grêmio é assim, contesta até seu maior goleador na temporada. Tem quem considere bom perder DC e dar oportunidade para Ricardinho, que tem se mostrado um perdedor de gol.

Tem gente que até defende Churin como solução ofensiva.

Por fim, vamos ver se o time tem mesmo potencial ofensivo para decolar no campeonato, mesmo sem seu atacante mais perigoso, o Ferreira.

Sobre contratações. Há muita especulação. De concreto mesmo temos o interesse de Felipão em contar com Paulinho. Seria um grande reforço.

Fala-se também na volta de Giuliano. Sou contra. Já passou por aqui e viria para se aposentar. Esse pessoal com um certo nome só assina contrato de dois ou três anos.

Tem ainda o Lucas Lima, do Palmeiras. Seria o articulador que falta ao time. Mas dizem que ele é um jogador problemático.