domingo, agosto 31

“Nós queremos defender as nossas crianças, os nossos adolescentes”, afirma Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta sexta-feira (29/8), durante entrevista concedida à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, a disposição do Governo Federal em avançar na regulação das plataformas digitais e defender os interesses do país no cenário internacional. Lula comentou as recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou impor tarifas a países que adotem medidas de regulação sobre empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

“O que é importante o presidente americano compreender é que o Brasil tem uma Constituição, o Brasil tem uma legislação e todas as empresas de qualquer nacionalidade que estejam implantadas no Brasil se submetem à legislação brasileira. Nós queremos defender as nossas crianças, os nossos adolescentes. Semana que vem daremos entrada no Congresso Nacional a proposta do governo para regular definitivamente as Big Techs”

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República

De acordo com Lula, o Brasil seguirá conduzindo suas decisões soberanas de forma responsável e em consonância com a legislação vigente. “O que é importante o presidente americano compreender é que o Brasil tem uma Constituição, o Brasil tem uma legislação e todas as empresas de qualquer nacionalidade que estejam implantadas no Brasil se submetem à legislação brasileira. Nós queremos defender as nossas crianças, os nossos adolescentes. Semana que vem daremos entrada no Congresso Nacional a proposta do governo para regular definitivamente as Big Techs”, destacou.

RECIPROCIDADE — No campo comercial, o presidente ressaltou que a prioridade do governo é defender a competitividade internacional do Brasil. A Lei da Reciprocidade, instrumento já acionado pelo Executivo, estabelece critérios para suspender concessões comerciais ou obrigações de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a economia nacional.

Lula confirmou que o Brasil já protocolou pedido formal junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aguarda disposição dos Estados Unidos para negociar. “Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Eu tomei a medida porque eu tenho que andar com o processo. Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta. Eu não quero guerra com os Estados Unidos. Eu quero negociar”, disse.

O presidente destacou ainda a assimetria atual no comércio bilateral entre os países: “Mais de 73% dos produtos americanos que entram aqui não pagam imposto. Dos 10 mais importantes, 8 são zerados. E a média do que eles pagam é 2,7%. É quase nada. Então, se tem uma coisa que os americanos não podem reclamar, é da relação comercial com o Brasil”.

Lula enfatizou ainda que o Brasil se afirma no cenário internacional com dignidade e autonomia. “O Brasil não é uma republiqueta de banana. O Brasil quer ser respeitado, e o Brasil respeita todo mundo. O que o Brasil faz é não se submeter. Nós não adotamos aquele negócio do complexo de vira-latas. Nós somos iguais. Não queremos conversar com ninguém de forma subalterna”, concluiu.

NOVOS MERCADOS — As afirmações do presidente ocorrem no contexto em que o Brasil superou a marca de 400 novos mercados internacionais abertos desde janeiro de 2023, demonstrando a força da política de diversificação de produtos e destinos. Apenas no primeiro semestre de 2025, as exportações do agronegócio somaram US$ 82,8 bilhões, em linha com o desempenho recorde do ano anterior. Produtos menos tradicionais já registram crescimento de 21% no acumulado do ano.

“Nós abrimos 402 novos mercados para os produtos brasileiros. Se os Estados Unidos não quiserem comprar, vamos procurar outro mercado. Se o leite cair, eu vou procurar outra vaquinha para tirar mais leite. Em outubro, vou à Malásia, no encontro de 11 países asiáticos, e vou lá para vender os produtos brasileiros”, afirmou Lula.

ONU — O presidente também antecipou que sua participação na próxima Assembleia-Geral das Nações Unidas, marcada para 9 de setembro, terá como foco a defesa da democracia, do multilateralismo e da governança global. “Eu acho que vai ser um discurso importante na defesa da democracia, na defesa do multilateralismo. Não é aceitável o genocídio que está acontecendo em Gaza. Eu sou favorável à criação do Estado Palestino, que eles vivam no território demarcado pela ONU e que possam viver harmonicamente e pacificamente com o Estado de Israel. Essa minha posição é antiga, eu não abro mão dela”, reiterou.

Crédito: Agência Gov

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